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Descobri que meu filho tem diabetes, e agora?

08.06.2017

Às vezes a gente não precisa de alguém que nos diga “Calma, isso não é nada.” Porque pode não ser “nada” pra vc, que não tem e não convive com a nossa doença.

 

Algumas pessoas me perguntam porque a minha página chama “Diabética Tipo Ruim”, pois elas acham que eu sou uma pessoa que não aceitou a condição, que é revoltada com a doença, que não se cuida, ou como dizem por aí “é uma louca depressiva”.

 

Não. Não é isso.

 

O nome Tipo Ruim veio por causa das inúmeras vezes que alguém reagiu de forma ignorante quando eu disse ser diabética. “Nossa, mas a sua diabetes é da forte? A sua diabetes é da Tipo Ruim?” E isso virou uma piada entre eu e alguns amigos, até entre a minha família.

 

É óbvio que isso é falta de informação, e é óbvio tbm que não existe um tipo de diabetes mais fraco ou melhor de se ter.

 

Esses dias eu conheci uma mãe, médica, que tem dois filhos. Um deles, aos 2 anos de idade foi diagnosticado com leucemia. Um pesadelo neh? Ninguém deseja passar por isso, ninguém sabe como vamos reagir com uma doença tão pesada instalada no corpinho frágil de uma criança. Duvidamos de Deus, colocamos em prova a nossa fé, questionamos os porquês disso e exigimos respostas às nossas perguntas, não é?

Pois o menino ficou bem, seguiu o tratamento, enfrentou fortemente e se curou.

 

Alguns anos depois, o seu segundo filho, de pouco mais de 5 anos foi diagnosticado com diabetes. Sim, uma situação bem chata, pesada, triste e sem respostas para os porquês dessa mãe, mas o que mais me impressionou foi ela ter me dito que ficou bem mais baqueada com a notícia do diabetes do que com o da leucemia, pois ela sabe que é uma doença “pra vida toda”.

 

A gente começou a conversar e depois disso, quando desliguei o celular eu fiquei pensando muito sobre tudo o que ouvi e conheci da vida dela.

 

O diagnóstico do filho dela é bem recente, eles ainda estão “se adaptando” a nova vida, e quem é mãe sabe que existe um período de muitas dúvidas, incertezas, inseguranças, e isso é bem natural. Com o passar do tempo tudo vai ficando mais claro, natural e fácil.

 

O que acontece de ruim nessa fase é o bombardeio de informação. Hoje em dia basta digitar no google uma pesquisa que inúmeras páginas irão de oferecer informação sobre o mesmo tema. Isso é maravilhoso não é? Nem sempre.

 

E eu digo que nem sempre porque muitas vezes a gente perde a mão do “filtro”. Perdemos a mão de conseguir ler e filtrar aquilo que nos faz bem e o que nos faz mal. E esse filtro só vai existir quando vc deixar de lado a sua sede por soluções rápidas e milagrosas para os problemas que vc tem e começar a pensar por suas próprias vias em como vc deveria se sentir em relação a qualquer coisa. A gente sempre deixa que alguém nos diga como devemos nos vestir, comer, quais os bares devemos frequentar, e como devemos nos sentir diante de uma situação.

 

No nosso mundo é preciso entender que essa doença vai além da receita médica, dos chás, da dieta, do clichê “Diabetes não é nada, basta aplicar insulina e comer direito”.

 

O diabetes não atinge apenas o corpo físico de quem desenvolve a doença. Ele atinge o emocional (não só do paciente, mas tbm de toda a sua família), e nem sempre os médicos percebem isso, e nem sempre a família percebe isso, e nem sempre isso é tratado como deveria ser.

 

Nesse meu blog eu falo muito sobre o lado emocional da doença e não é porque eu não aceitei, longe disso, mas eu falo com quem ainda não aceitou e com quem apenas se identifica com meus textos e a minha forma de pensar sobre a vida. Falo com aqueles q assim como eu, não conseguem achar legal, engraçado e bom ter diabetes.

 

Saber viver, aceitar e conviver com a doença, pra mim, não quer dizer que vc não precisa falar sobre as suas dificuldades. Se em algum lugar estiver escrito que para se ter aceitado a doença é preciso estar bem todos os dias da sua vida, então eu digo, eu não aceito. Mas não existe um consenso onde tenha uma bula com as orientações de como se deve aceitar ter uma doença sem cura... não é mesmo?

 

O que eu tento é trazer o meio termo disso tudo para quem quiser ler o que eu tenho pra falar. Não, eu não tenho razão e nem certeza de que isso é o certo a se fazer, mas funcionou pra mim. Vc pode tentar tudo isso contigo e ver se te serve.

 

Eu não sou depressiva. Eu simplesmente só permito que os dias ruins sejam ruins, para aprender com eles. Eu não nego um dia ruim. Eu o aceito, de coração e alma aberta. Choro, me desespero, me sinto mal, não quero sair da cama e reflito. Eu sou humana. Sou humana e tenho altos e baixos como qualquer pessoa, até mesmo como uma pessoa sem doença alguma, que tem altos e baixos em sua vida.

 

Eu aceito a doença. Eu me trato. Eu faço exames, eu cuido da alimentação dentro do que eu acho bom e saudável pra mim, eu escolhi não viver em função da doença, eu escolhi ter o diabetes na minha vida sem que ele seja o ator principal em cena.

 

Eu não sou refém de um número no glicosímetro. Eu não sou definida por esse número e não deixo q ele me defina.

 

Se estou dentro da faixa alvo, vibro, fico feliz e me empolgo. Se estou fora, corrijo, monitoro, e tento acertar de novo. Mas eu não me desespero. Eu não me culpo. Eu não me cobro. Eu não acho que sou uma péssima pessoa por não ter conseguido, porque eu sei que eu fiz o meu melhor. Mesmo pq, amanhã é outro dia e eu tenho uma nova oportunidade de tentar de novo.

 

Essa mãe vai começar uma vida com o diabetes ao lado deles todos os dias. Será que ela merece mesmo se sentir culpada todas as vezes que o resultado não der dentro do esperado?

 

Será que ela não tem o direito de dizer que é difícil? Que tem medo? Que está cansada? Eu acho que ela tem. Eu acho que eu tenho. E eu acho que você tem.

 

A gente tem o direito de dizer “Porra, hoje tá foda!”. E tudo bem.

 

Quantas pessoas que vc conhece que dizem essa frase pra vc porque o ônibus atrasou? Porque bateram o carro? Pq o trabalho está stressante? Pq nada está dando certo naquele dia?

 

Se ela pode dizer que o dia não tá fácil..... gente, você tbm tem esse direito!

 

Acredite: vc não precisa ser uma máquina robusta, forte, invencível, indestrutível e feliz o tempo todo.

Vc pode sucumbir às vezes, e isso não é vergonha pra ninguém, porque às vezes, o dia tá realmente foda....

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